Fonte: Jornal O diário do Noroeste - Ano 6 - número 1409 - 22/10/2010.
Slideshow
quinta-feira, 24 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
ELEITORES CONSCIENTES
Estamos em ano eleitoral, e percebe-se no ar um clima tenso entre os partidos, candidatos e eleitores. As instituições políticas estão em um completo
alvoroço. Todos em busca de apoios e acordos que possam favorecer seus
candidatos. Especulações correm à solta, e de ouvido em ouvido, dão vida a
esquemas políticos e planos elaborados para tentar ludibriar não somente a população,
mas também os adversários. Nesse jogo de blefe, ambos com os mesmos interesses
trabalham em prol de seus candidatos. Mas aproveitando-se do desgosto do povo
com o atual governo de nossa cidade, a oposição se coloca em posição de luta e
trabalha unindo-se em coligações e traçando estratégias que possam lhes
garantir a vitória, sempre em conspiração contra aqueles que estão no poder.
Observando todo essa movimentação das organizações políticas, de uma forma mais analítica, percebo que por trás de todas essas especulações que circundam os candidatos políticos que já conhecemos, e embora o povo reclame, murmure, esperneie, digo com toda certeza que repetiremos o mesmo erro das eleições anteriores e votaremos nesses mesmos candidatos.
Porém, se prestarmos mais atenção, veremos que no meio desse “disse-me-disse” há sempre alguém em quem se possa depositar confiança. São aqueles homens e mulheres que encaram o desafio de se expor, em uma luta que é de todos, em busca da igualdade social, de melhores condições de vida para a população, e muitos de nós não nos damos conta, nem se quer prestamos atenção nessas vozes que querem gritar por nós, mas são abafadas pelo nosso descrédito. O povo quer mudança, mas não muda! O povo reclama, mas não protesta! O povo fala mal de seus governantes, mas é tão corrupto quanto eles, ao vender seu voto ao preço de favores medíocres e egoístas. Desconfiamos de todos porque não confiamos nem em nós mesmos. Escolhemos sempre os mesmos calhordas corruptos por preferir acreditar em suas mentiras, e ter motivo para reclamar e fazer dessas mentiras verdades que só denigrem a imagem de nossa cidade, estado e país.
Paremos para observar aqueles que se propõem a lutar por nós e ouvir o que eles têm para oferecer não a mim, nem a você individualmente, mas a sociedade que clama por um governo mais justo, por uma política mais honesta, por homens íntegros e retos, cujos ideais não se sobrepõem aos interessem do povo.
Sejamos eleitores conscientes! Viva a democracia que ainda sim permite que pessoas desconhecidas assumam papéis importantes não só na história dessa cidade, mas na história de cada um de nós, cidadãos itaperunenses.
terça-feira, 1 de maio de 2012
O "Evangelho" segundo Herbert Vianna
Herbert Vianna
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos "lipo-as e muito mais piração?"
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu tambem quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bilímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, e não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.
Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
"Cuide bem do seu amor, seja ele quem for."
Herbert Vianna - Cantor e compositor (Via Veshame Gospel)
Título Original: Cirurgia de Lipoaspiração
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Moleskine, o cativeiro de palavras
em Horizontes e esquinas por Priscila Pasko em 19 de abr de 2012
Costumo sequestrar palavras que não consigo conquistar em prosa. Sim, sou réu confesso. Com receio de deixá-las no vácuo entre o escrito e o cogitado, faço de meu Moleskine o cativeiro do meu não-verso, do meu não-texto. E as escrevo.
Insinuação. Guilhotina. Longevo. Instigante. Gozo.
Olho, leio, saboreio cada sílaba com tara perversa e creio que, por vezes, as palavras tremem no papel. Desfilam nas linhas dos livros, revistas e jornais em posições provocativas que me forçam a repeti-las bem baixinho. Sussurro na nuca de seu ditongo. Reproduzo um som no espaço de um hiato na esperança de que a palavra me responda do alto de sua apatia, mas nada ouço. Pronuncio não apenas a palavra, mas seu nome, nua de qualquer contexto, desamparada de sentido. E as guardo.
Cintilar. Indolência. Murmúrio. Empáfia. Lassidão.
Não há preferência, classificação de significados ou reputação etimológica. Sinto apenas atração genuína pela reação provocada na pronúncia. A língua que bate no céu da boca, uma palavra que sibila de maneira envolvente, a proparoxítona que exige um esforço sensual. E as escondo.
E assim mantenho as palavras resguardadas em meu Moleskine, forçosamente recatadas pelo meu egoísmo, sufocadas em folhas brancas, ignoradas por olhos que não sejam os meus. Vez que outra, ouço-as murmurarem. E volto para meu harém manuscrito.
Leia mais:
terça-feira, 10 de abril de 2012
Não sei ser poeta
Os três poemas à seguir fazem parte do meu primeiro livro. Espero que gostem ou não. Não esqueçam de deixar seus comentários.
NÃO SEI SER POETA
Tudo o que eu queria era simplesmente um lugar tranquilo
onde eu pudesse repousar a cabeça e descansar minha mente das preocupações da vida,
e, quem sabe assim, adormecer e sonhar com um céu mais azul,
com uma aventura entre heróis desconhecidos,
ou melhor ainda, sonhar com meu grande amor.
Porém descobri que não existe nada melhor do que a vida que se sabe viver,
que se pode viver, que se quer viver.
A vida é apenas um meio de existir,
e o sonho, uma forma de refúgio,
onde o subconsciente é tão verdadeiro quanto o mundo que vemos e em que vivemos.
Será que sei viver? Será que não sei sonhar?
Não sei as respostas para minhas indagações,
muito menos sei quais são as minhas dúvidas.
Sei apenas que meu refúgio é secreto enquanto for apenas meu,
que minha vida é daqueles que precisam de mim
e as letras apenas o contorno da minha alma que se traduz nas entrelinhas de um contexto poético que é a minha própria vida.
Não sei ser poeta, mas sei dizer o que é preciso.
Encontro-me em êxtase se apenas estiver com quem amo
e sei o quanto é difícil amar,
ainda que não conheça o amor,
ainda que não entenda as palavras,
ainda que o sonho seja somente sonho.
O que faz a diferença são as minhas atitudes.
Quem sabe um dia eu encontre as palavras escondidas
e enfim entenda a poesia inexplicável que se traduz em mim.
VOU ABANDONAR-ME
Vou abandonar-me nesses versos,
Desnudar a minha alma que insiste em empurrar-me
Desse precipício que é a vida.
Vou alçar voo rumo ao reino das palavras,
A clausura dos meus sentimentos
Já não é suficiente para conter
O magnetismo que me atrai a elas.
Sou andarilho nesse mundo,
Não tenho eira nem beira.
Quero apenas um papel e uma caneta,
Quero apenas uma rima bem feita
Que liberte-me para essa vida
E torne meus versos livres.
Vou abandonar-me para que outros me encontrem,
Despir-me do obsoleto,
Esquecer o perfume bucólico das lembrança
Flagelar-me sem dó na consciência
Com o amor verdadeiro e a paixão mais intensa.
Quero encontrar-me abandonado
Em qualquer canto da prateleira mais empoeirada da estante.
Quero ser esquecido para ser lembrado por cada verso de quem eu sou.
Habitarei as entrelinhas ou o rodapé de cada página,
Estarei aqui enquanto houver palavras,
Estarei ali enquanto houver leitor,
Permanecerei enquanto houver história.
PRA NÃO FALAR QUE EU NÃO FALEI DE FLORES
Pra não falar que eu não falei de flores
Faço de um poema simples, um jardim,
Um refúgio secreto dos amores,
Onde os versos são flores para mim.
Pra não falar que eu não falei de flores
Deixo a emoção florar nesses meus versos
E então pintar a vida com as cores,
Que nas folhas em branco do caderno
Dão forma ao coração que em verso assume
As palavras que exalam o perfume
Que perfuma essa vida com amores
Pois todo amor que floresce em meu peito
Revela o predicado de um sujeito
Que aqui só quer poder falar de flores.
terça-feira, 27 de março de 2012
PREFÁCIO
Bom dia a todos!
Segurando a ansiedade, publico hoje, aqui no blog, o prefácio do meu primeiro livro "NÃO SEI SER POETA", que está previsto para ficar pronto em meados do mês de abril.
Sou suspeito para falar da pessoa que escreveu o prefácio, pois além de ser uma grande conhecedora de poesias, é uma mestra sem igual e uma grande amiga.
Com vocês Lenise Dutra que me deu a honra de prefaciar minha primeira obra literária.
Segurando a ansiedade, publico hoje, aqui no blog, o prefácio do meu primeiro livro "NÃO SEI SER POETA", que está previsto para ficar pronto em meados do mês de abril.
Sou suspeito para falar da pessoa que escreveu o prefácio, pois além de ser uma grande conhecedora de poesias, é uma mestra sem igual e uma grande amiga.
Com vocês Lenise Dutra que me deu a honra de prefaciar minha primeira obra literária.
PREFÁCIO
( do livro Não sei ser poeta, de Igor José)
O exercício da escritura poética é uma tarefa que exige coragem e trabalho beneditino com as palavras: a poesia que provoca embriagamento da alma, que nos liberta das dores existenciais, que nos leva à contemplação da beleza dos versos. Charles Baudelaire, em Pequenos Poemas em Prosa profetiza... “É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se [...] É hora de embriagar-se!”. Escrever por sentir apenas, na busca do poeta pelo verso e pelo seu lirismo pessoal, o conteúdo poético das suas palavras.
Divagando em meus pensamentos/Encontro-me no êxtase de mim mesmo. Com estes versos, Igor José anuncia seu ofício: o de poetar. Não sei ser poeta, essa incursão do autor pelo universo do texto poético aponta para uma poesia anatômica em que o encontro da palavra com a emoção se faz sem melindres: elas se procuram e se coadunam sem pudor: “Hoje quem escreve não sou eu/Mas o poeta que está em mim/Minha razão e minha emoção/Estão em suas mãos/Ou melhor, em sua caneta [...]”. Seus
poemas evidenciam isto: “Não sei ser poeta, mas este poeta está em mim, busco a contemplação da liberdade poética, ando por aí, a voz da poesia faz-me escravo da liberdade [...]”. Busca, contempla, duvida.
Como Bandeira, levanta a bandeira da liberdade poética: “Abaixo às medidas e as rimas pré-elaboradas para agradar aos ditadores da língua./Soltem os versos!/Libertem os versos desse universo literário adstrito aos arcaísmos/cosmopolitas, às sintaxes de pensamentos. /Liberdade aos ingramáticos!”. Seguindo Pessoa na pessoa de Álvaro de Campos, “Eu sou o que sou, o que faço é problema meu”, rejeita qualquer forma de exigência em busca do lirismo que aprisiona, que não seja libertário. Ou ainda, acompanhando os passos de Augusto dos Anjos, questiona a própria existência, escreve por palavras, mas suas palavras parecem ganhar vida, ali há um coração pulsando “... Mas caí como um verme / No centro de um lixão,/ Sinto-me mais que um nada/ Rastejando na rua./ Estou sentindo nojo, / Do meu eu me despojo,/ Um verme sei que sou!”. É fisiologia em palavras. Mantém, para sua escritura poética, os olhos voltados para os poemas dos mestres. Um poeta de muitas vozes e de muitas faces, como Drummond. A este dedica seu DRUMMOND: “Olho para o rosto do mestre/Escondidos por detrás dos óculos /Seus olhos me encontram”. A poesia de Igor mantém com a poesia de Drummond um namoro silencioso: “Folheio a sua biografia/ Encontro-me com um José/ Assim como eu e tantos outros.”
Chamo de singular o poeta Igor José, o verso é sua matéria. Os poemas estão na ponta língua prontos para serem degustados pelo leitor. Talvez sofra dos males dos românticos... Insônia, desejo, sonho, lirismo; talvez incorpore a ideologia dos modernistas na busca do verso sem aprisionamentos, sem medidas. O que importa é a feitura do texto, sem apelos temáticos e estruturais. Em sua poesia cabem os sonhos, as dores, o amor, o medo, a desilusão, o ofício.
Crescem juntas a poesia e a emoção de Igor José: brotam da mesma fonte, correm em leitos paralelos e encontram-se. É a vida, o lado oculto e individual do poeta, que pulsa em sua poesia repleta de lirismo. Sua poeticidade se manifesta no fato de a palavra ser sentida como palavra e não como simples substituto de um objeto ou de uma emoção.
Enfim, mostra-se, e na sua urgência deixa para o leitor a tarefa de decifrá-lo, ora como o monstro que habita o porão da alma, ora como um passarinho que foge de sua gaiola.
Profª Ms. Lenise Ribeiro Dutra de Campos
Mestra em Literatura Brasileira
Especialista em Língua Portuguesa
Graduada em Letras
segunda-feira, 26 de março de 2012
Verconda Espadarote Bulus
Assinar:
Postagens (Atom)



